A pergunta que domina as salas de reunião é “como crescer mais rápido?”. É uma pergunta legítima e quase sempre a errada — porque crescer, sozinho, não é difícil. Basta contratar mais, gastar mais em mídia, abrir mais uma unidade. O faturamento sobe. A estrutura sobe junto. E o negócio termina o ano maior, mais complexo e exatamente tão lucrativo quanto começou.
Escalar é outra coisa. Escalar é quando a receita cresce mais rápido do que a estrutura que a sustenta. A pergunta certa, portanto, é bem mais desconfortável: como aumentar a capacidade de gerar valor sem aumentar a complexidade na mesma proporção?
Essa formulação não é retórica. Ela apareceu quase literalmente na conversa com Marcelo Spaziani, que passou 33 anos na IBM, chegou à vice-presidência da companhia, liderou mais de mil pessoas — e depois assumiu a liderança de uma greentech de biotecnologia industrial, o Grupo Dux. Segundo o episódio, a empresa cresceu 241% em faturamento nos últimos cinco anos mantendo uma estrutura fixa deliberadamente enxuta. O crescimento não veio de inflar o organograma. Veio de decidir o que não colocar dentro da operação.
Do outro lado dessa escolha estão os números do IBGE. Das empresas empregadoras nascidas em 2017, 76,2% chegaram ao primeiro ano. No quinto, restavam 37,9%. A curva não desaba de uma vez: ela vaza. E o ponto de vazamento raramente é falta de vendas — é uma estrutura que cresceu antes da capacidade de sustentá-la.