O Jogo da Escala
The Game · Panorama 2026

O Jogo
da Escala

Por que 6 em cada 10 empresas brasileiras não chegam ao quinto ano — e o que fazem, de diferente, as que chegam.

Leitura de 12 minutos Conteúdo aberto, sem cadastro Por Felipe Amaral

37,9%

das empresas abertas em 2017 ainda estavam vivas no quinto ano de operação.

IBGE · Demografia das Empresas

210.714

empresas empregadoras a menos no país entre 2020 e 2022 — a maioria de pequeno porte.

IBGE · Demografia das Empresas

20% a.a.

por três anos seguidos, em receita ou em pessoas: a definição de uma scale-up.

Endeavor · Scale-ups no Brasil

92%

das scale-ups brasileiras são pequenas e médias empresas. Escala não é tamanho.

Endeavor · Scale-ups no Brasil

Quem já passou pelo The Game Podcast

Marcelo Spaziani ex-VP IBM Brasil · CEO Grupo Dux Daniel Wildt CTO · ex-ThoughtWorks e Zenvia Pedro Bocchese Fundação Dom Cabral · Dados & IA Fabio Rossetto Cofundador e CGO · Rossetto e Lorenzi Tiago Lemos Cognitive Company Leandro Coletti Diretor Comercial Juliano Fenólio Tecnologia e modelo de negócio Rodrigo Pacheco Empresário
Parte 1 · O diagnóstico

Quase todo mundo está fazendo a pergunta errada.

A pergunta que domina as salas de reunião é “como crescer mais rápido?”. É uma pergunta legítima e quase sempre a errada — porque crescer, sozinho, não é difícil. Basta contratar mais, gastar mais em mídia, abrir mais uma unidade. O faturamento sobe. A estrutura sobe junto. E o negócio termina o ano maior, mais complexo e exatamente tão lucrativo quanto começou.

Escalar é outra coisa. Escalar é quando a receita cresce mais rápido do que a estrutura que a sustenta. A pergunta certa, portanto, é bem mais desconfortável: como aumentar a capacidade de gerar valor sem aumentar a complexidade na mesma proporção?

Essa formulação não é retórica. Ela apareceu quase literalmente na conversa com Marcelo Spaziani, que passou 33 anos na IBM, chegou à vice-presidência da companhia, liderou mais de mil pessoas — e depois assumiu a liderança de uma greentech de biotecnologia industrial, o Grupo Dux. Segundo o episódio, a empresa cresceu 241% em faturamento nos últimos cinco anos mantendo uma estrutura fixa deliberadamente enxuta. O crescimento não veio de inflar o organograma. Veio de decidir o que não colocar dentro da operação.

Do outro lado dessa escolha estão os números do IBGE. Das empresas empregadoras nascidas em 2017, 76,2% chegaram ao primeiro ano. No quinto, restavam 37,9%. A curva não desaba de uma vez: ela vaza. E o ponto de vazamento raramente é falta de vendas — é uma estrutura que cresceu antes da capacidade de sustentá-la.

A curva não desaba. Ela vaza.

Taxa de sobrevivência das empresas empregadoras nascidas em 2017, ano a ano

76,2%
1º ano
59,6%
2º ano
49,4%
3º ano
42,3%
4º ano
37,9%
5º ano

Fonte: IBGE, Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo (referência 2022)

Parte 2 · O método

Os sete movimentos da escala.

Eles são uma sequência, não um cardápio. Cada movimento resolve uma pergunta que o seguinte pressupõe respondida — e é por isso que tanta empresa trava no movimento 4 tentando resolver um problema que nasceu no movimento 1.

01

Modelo de negócio

Um modelo de negócio descreve três coisas: como a empresa cria valor, como entrega esse valor e como captura parte dele de volta. A maioria dos negócios sabe responder as duas primeiras com clareza e trava na terceira.

Captura de valor é onde mora a margem. É a diferença entre uma operação que entrega um resultado extraordinário e cobra por hora trabalhada, e outra que entrega o mesmo resultado e cobra por resultado entregue. O trabalho é idêntico. O modelo é que não é.

A pergunta que abre o jogo

Se o seu maior cliente dobrasse de tamanho amanhã, a sua receita dobraria junto — ou só o seu custo?

02

Inteligência de mercado

Inteligência competitiva não é o slide de concorrentes que alguém montou no planejamento do ano passado. É uma rotina: coleta e leitura contínua do que muda em torno do negócio — preço, oferta, tecnologia, regulação, comportamento de compra.

A diferença prática é a velocidade de reação. Empresas que tratam mercado como rotina percebem um movimento do concorrente em semanas. As que tratam como projeto anual percebem quando o número já caiu.

A pergunta que abre o jogo

Qual foi a última decisão que você tomou por causa de uma informação de mercado — e não de uma percepção interna?

03

Diferenciação estratégica

Todo negócio tem uma lista de diferenciais. Quase nenhum tem um diferencial defensável. O teste é simples e cruel: se um concorrente com dinheiro e vontade consegue copiar aquilo em um trimestre, não era um diferencial — era uma funcionalidade.

Diferenciação que sustenta escala costuma vir de coisas lentas de copiar: um jeito próprio de operar, uma base de dados acumulada, uma marca com significado, um custo estruturalmente menor, uma comunidade. Coisas que exigem tempo, não orçamento.

A pergunta que abre o jogo

O que você faz que um concorrente bem financiado não conseguiria replicar em noventa dias?

04

Estratégia de precificação

Preço é a alavanca de lucro mais poderosa e a menos trabalhada de qualquer negócio. A análise clássica da McKinsey sobre as empresas do S&P 1500 mostrou que um aumento de 1% no preço, mantidos os volumes, gera cerca de 8% de aumento no lucro operacional — um impacto quase 50% maior do que o de reduzir 1% dos custos variáveis, e mais de três vezes o de vender 1% a mais.

O inverso também vale, e é onde a maioria se machuca: cortar preço em 1% derruba o lucro operacional na mesma proporção. Para compensar um desconto de 5% seria preciso vender quase 19% a mais — uma elasticidade que quase nenhum mercado real entrega.

A pergunta que abre o jogo

Quando foi a última vez que você reajustou preço por decisão estratégica — e não por reação a custo ou a concorrente?

05

Estrutura de custos e eficiência

Existe um custo que quase nunca aparece na DRE: o custo da complexidade. Cada novo produto, exceção comercial, cliente fora do padrão e camada de aprovação cobra um pedágio permanente em coordenação, erro e tempo de gestão.

É por isso que o caso do Grupo Dux importa. Crescer 241% em cinco anos mantendo a estrutura fixa enxuta não é sobre cortar — é sobre escolher, desde o começo, o que não entra. Eficiência aqui é uma decisão de arquitetura, não uma campanha de redução de despesas.

A pergunta que abre o jogo

Se a sua receita dobrasse nos próximos 18 meses, quantas contratações isso exigiria — e por quê?

06

Crescimento sustentável

Crescimento sustentável é o crescimento que a operação aguenta entregar. O sinal de alerta não aparece no faturamento — aparece antes disso, na qualidade da entrega, no retrabalho, no turnover e no tempo que a liderança passa apagando incêndio em vez de decidir.

Metas agressivas não são o problema. O problema é quando a pressão vira o método de gestão — e a empresa passa a comprar resultado deste trimestre com capacidade do próximo ano.

A pergunta que abre o jogo

O seu último trimestre de crescimento deixou a operação mais forte ou mais cansada?

07

Viabilidade e expansão

Expansão é o movimento que mais destrói valor quando feito fora de hora. A pergunta não é “dá para expandir?” — quase sempre dá. É “o modelo já está pronto para ser repetido?”.

Um modelo pronto para repetição tem três marcas: a unidade atual é lucrativa de forma consistente e não por esforço heroico; o que faz ela funcionar está documentado e não na cabeça de duas pessoas; e existe caixa para atravessar a curva de maturação da próxima unidade sem sufocar a primeira.

A pergunta que abre o jogo

Se você saísse de operação por noventa dias, o que quebraria primeiro?

A alavanca mais forte é a menos usada

Impacto no lucro operacional de uma melhoria de 1% em cada alavanca — empresas do S&P 1500

Preço +1%
+8,0%
Custo variável −1%
≈ ⅔
Volume +1%
< ⅓

Fonte: McKinsey & Company, “The power of pricing”. As duas últimas barras são proporções relativas ao efeito do preço, conforme descrito no estudo — o impacto do preço é cerca de 50% maior que o do custo variável e mais de 3× o do volume.

Parte 3 · A nova linha de corte

A distância entre grandes e pequenas virou uma distância de inteligência.

O uso de inteligência artificial nas empresas brasileiras saiu de 13% para 17% em um ano, segundo a pesquisa TIC Empresas do Cetic.br. O número médio esconde a história real. Entre as grandes empresas, a adoção saltou de 38% para 50%. Entre as pequenas, de 10% para 15%.

Metade das grandes empresas do país já opera com IA. Uma em cada sete pequenas. Essa é a linha de corte — e ela não separa quem tem tecnologia de quem não tem: separa quem transformou tecnologia em velocidade de decisão de quem ainda a trata como projeto de TI.

É a mesma distinção que Pedro Bocchese, professor da Fundação Dom Cabral e pesquisador de algoritmos, levanta no podcast: já existe uma divisão entre os profissionais que usam IA por curiosidade e os que a usam para ganhar velocidade, produtividade e vantagem competitiva. E é o mesmo terreno do conceito de Cognitive Company discutido com Tiago Lemos — empresas em que dados e IA deixaram de ser ferramenta de apoio e passaram a redefinir o modelo de gestão.

Metade das grandes. Uma em cada sete pequenas.

Empresas brasileiras que utilizam inteligência artificial, por porte — 2025

Pequenas
10 a 49 pessoas
15%
Total
todas as empresas
17%
Grandes
250+ pessoas
50%

Fonte: Cetic.br / CGI.br, pesquisa TIC Empresas (4.174 empresas entrevistadas; coleta entre fev/2025 e jan/2026)

Parte 4 · O que ninguém coloca na planilha

Nenhuma operação escala mais rápido do que a confiança que existe dentro dela.

Há uma variável que não aparece em nenhum modelo de viabilidade e que decide boa parte das escalas: as pessoas que precisam sustentá-la.

Daniel Wildt, CTO com mais de 25 anos em tecnologia e passagens por ThoughtWorks e Zenvia, faz no podcast uma provocação que enquadra bem o problema: como construir empresas de alta performance sem destruir as pessoas no processo? Enquanto o mercado discute velocidade, ele discute confiança — e o preço emocional de operações que aceleram sem freio.

A conexão com escala é direta e prática. Autonomia é o que permite uma empresa crescer sem que toda decisão suba até o topo. Mas autonomia só existe onde existe confiança — e confiança não se implanta por processo. É por isso que o fim do microgerenciamento aparece nas duas pontas dessa conversa: com Spaziani, como condição para crescer sem inflar a estrutura; com Wildt, como condição para as pessoas aguentarem o crescimento.

Uma empresa que só escala enquanto o fundador aprova tudo não está escalando. Está adiando um teto.

Parte 5 · Quem já jogou

Oito conversas, oito recortes do mesmo jogo.

Marcelo Spaziani · ex-VP IBM Brasil, CEO Grupo Dux

A escala enxuta

Como crescer 241% em cinco anos sem inflar a estrutura fixa — e por que microgerenciar é o oposto de escalar.

Ouvir episódio

Daniel Wildt · CTO, ex-ThoughtWorks e Zenvia

O custo humano

Como construir empresas de alta performance sem destruir as pessoas no processo — confiança, autonomia e o risco da dependência intelectual da IA.

Ouvir episódio

Pedro Bocchese · Fundação Dom Cabral, Head de Dados & IA

A divisão que já começou

De um lado, quem usa IA por curiosidade. Do outro, quem já a transformou em velocidade e vantagem competitiva.

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Fabio Rossetto · Cofundador e CGO, Rossetto e Lorenzi

Estratégia que vira caixa

Por que tanta estratégia não gera resultado — e onde estão os riscos invisíveis que travam o crescimento sem ninguém perceber.

Ouvir episódio

Tiago Lemos · Cognitive Company

A empresa que pensa

O que define, na prática, uma Cognitive Company — e por que tantas empresas ainda estão atrasadas nessa agenda.

Ouvir episódio

Leandro Coletti · Diretor Comercial

Escalar não é vender mais

Como estruturar uma área comercial preparada para crescer — método, cultura e consistência antes de técnica isolada.

Ouvir episódio

Juliano Fenólio · Tecnologia e modelo de negócio

Tecnologia como modelo

O papel da tecnologia dentro de modelos de negócio escaláveis — quando ela é infraestrutura e quando é o próprio produto.

Ouvir episódio

Rodrigo Pacheco · Empresário

As armadilhas do caminho

Quais decisões aceleram e quais travam o crescimento, e o que muda de verdade quando a empresa começa a ganhar tração.

Ouvir episódio
Parte 6 · O teste

Sete perguntas. Responda com honestidade — ninguém está vendo.

Marque apenas o que você conseguiria defender hoje, com dado na mão, para um conselho ou um investidor.

0de 7 movimentos

Marque as afirmações verdadeiras para ver onde o seu jogo está.

O próximo passo

Este panorama é o mapa. O jogo é jogado no detalhe.

Cada um dos sete movimentos tem uma aula inteira por trás, e cada conversa do podcast destrincha um deles com quem já fez. Deixe seu contato e eu te levo direto para os dois.

  • O curso completo — 7 módulos, 1h14, gratuito
  • Os 8 episódios do The Game Podcast, na íntegra
  • Os próximos panoramas, antes de irem ao ar

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Fontes de dados

  • IBGE — Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo (ref. 2022)
  • Cetic.br / CGI.br — Pesquisa TIC Empresas 2025
  • Endeavor — Scale-ups no Brasil
  • McKinsey & Company — The power of pricing

Fontes primárias

  • The Game Podcast — episódios 1 a 8
  • Curso “The Game: O Jogo da Escala” — 7 módulos

Sobre o autor

  • Felipe Amaral dos Santos
  • Executivo com 25 anos em tecnologia
  • 2 exits · startups de saúde e tecnologia
  • Criador do The Game Podcast
© 2026 The Game · Felipe Amaral Panorama 2026 · O Jogo da Escala